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FATO, GRAVATA E ENXADA

24/06/1999


Uma das provas que é possível inovar, mesmo na actividade mais tradicional, é dada por dois jovens engenheiros agrónomos. Frederico Avillez e José Pedro Salema, ambos com 25 anos, lideram um projecto de consultadoria em agricultura. Afinal, os computadores e a gestão também podem dar-se bem com gado e enxadas. «A agricultura é uma actividade incerta e ingrata, porque está dependente do estado da terra e do tempo. Mas uma gestão certa permite reduzir os riscos e até os prejuízos», diz Frederico Avillez.

Foi por isso que, durante o estágio que fizeram na Agroges, logo depois do curso, começaram a desenvolver um produto informático integrado para gestão agrícola, «uma espécie de sistema de contabilidade analítica que serve para apoiar os agricultores». Na altura, ainda não sonhavam que tinham nas mãos o embrião da sua própria empresa. Esta surgiu mais tarde, quando a Agroges decidiu autonomizar o projecto e entregá-lo à gestão dos dois jovens engenheiros. Com uma mãozinha da casa-mãe, que cedeu uma das suas instalações em Cascais e participa no respectivo capital, com 40 por cento .

Em pouco mais de um ano, angariaram cerca de 70 clientes, sobretudo no Ribatejo e no Oeste, têm agentes em Évora e na Chamusca e já pensam nas suas próprias explorações agrícolas. Por enquanto, limitam-se a percorrer o País, a apresentar as suas soluções de gestão no meio rural, adaptando-as a cada produtor ou propriedade. E aprendendo como se lida com a terra, para evitar situações embaraçosas como aquela que viveram, num dos primeiros contactos que tiveram com agricultores, em Aljustrel. «Apresentámo-nos muitos formais, de fato, gravata e um ecrã enorme para apresentar os nossos serviços. Claro que quando apareceram os agricultores, vestidos como trabalham todos os dias na terra, fomos olhados com estranheza e a coisa não correu muito bem...»

 

 

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