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Vinhos por Computador

01/12/2006

O título é provocador mas não está longe da verdade. De facto muitos dos grandes vinhos portugueses têm hoje um verdadeiro “Bilhete de Identidade” completamente digital e os seus criadores podem com um simples clique do rato do computador conhecer todo o percurso produtivo até ao talhão da vinha que lhe deu origem.

José Pedro Salema

Como foi já foi discutido nesta coluna em números anteriores existem dois níveis a que se devem processar as actividades de controlo – ao nível estratégico e ao nível operacional – para averiguar a concretização dos respectivos objectivos.

Ao nível operacional o controlo de gestão deve incluir planos de contingência para a resolução de problemas, ou traduzindo para uma linguagem simples, o gestor deve saber “o que fazer quando alguma coisa corre mal”.

Os escândalos relativos à falta de segurança alimentar nos finais dos anos noventa e alguns até mais recentes, como sejam os casos da BSE ou da febre aftosa afectaram profundamente o modo como os consumidores efectuam as sua selecção de produtos alimentares, bem como a sua exigência relativamente aos mesmos. A sensibilidade para os perigos envolvidos na alimentação juntamente com a melhoria dos padrões de vida nas sociedades desenvolvidas, tiveram como consequência um decréscimo da importância do preço no processo de escolha dos alimentos sendo que a qualidade passou a ter maior relevância.

Esta mudança de atitude por parte dos consumidores causou uma série de respostas políticas e dos produtores, com vista à implementação de sistemas de segurança e entidades reguladoras, no sentido de prevenir novos perigos e também novos escândalos.

Uma ferramenta imprescindível para a resolução de acidentes e que deve estar incluída em qualquer plano de contingência das empresas agrícolas é a possibilidade de encontrar rapidamente a origem e a forma de produção de cada produto ou os destinos de determinado lote de produção.

A rastreabilidade é um conceito muito em voga na fileira agro-alimentar mas que apesar disso ainda está longe de ser uma realidade na maioria das empresas do sector. De facto, todos os agentes envolvidos na produção de bens para consumo humano são obrigados (desde o início de 2005) a conseguir identificar a origem e forma de produção de todos os seus produtos. Para conseguir este conhecimento da realidade de cada empresa é necessário que cada agente implemente formas de registo de informação eficazes e que não sacrifiquem a eficiência do seu normal funcionamento. O recurso à informática é sem dúvida o caminho a seguir, já que permite, a baixos custos, estruturar, classificar, consultar e processar informação que pode também ser utilizada com objectivos de gestão.

Muitos processo produtivos dos bens alimentares estão longe de serem lineares, logo a necessidade de organização é agudizada. Internamente a empresa tem também necessidade de conhecer instantaneamente stocks, registar e consultar toda a complexa actividade quotidiana de produção.

Paralelamente os gestores destas empresas precisam conhecer a situação económica global bem como a de cada unidade de negócio. Para estes é essencial a determinação de indicadores, como o volume de vendas por produto ou cliente ou a margem líquida de cada produto.

A informatização dos processos de gestão da empresa agrícola permite responder eficaz, e eficientemente e com baixos custos administrativos às necessidades. É, no entanto, necessário prever que para modernizar e informatizar a gestão de uma empresa não basta a aquisição de computador e software de gestão – é necessário mudar os processos ou formas de fazer. As atitudes ou comportamentos são sempre difíceis de mudar porque requerem tempo, paciência e frequentemente ajuda especializada.

A rastreabilidade de toda a produção é um elemento da gestão da empresa agrícola que o moderno agricultor ou empresário agrícola não pode negligenciar Com margens decrescentes, forte pressão sobre os custos, concorrência acesa em praticamente todos os mercados e exigências crescentes por parte dos consumidores é essencial gerir bem controlando todos os detalhes.

 

Opinião

Apenas com o recurso a ferramentas informáticas especializadas é possível, de forma efectiva e rápida, conhecer o percurso da “Vinha ao Copo” e do “Copo à Vinha” já que a rastreabilidade “pelo papel” nunca permite tempos de resposta satisfatórios.

O processo produtivo de um vinho é normalmente muito pouco linear e nunca está definido à partida. Os destinos de cada lote podem estar previstos mas a evolução físico-química do produto pode determinar grandes alterações.

Mesmo numa adega pequena como aquela aqui ilustrada e apenas ao nível dos depósitos o número de possíveis caminhos produtivos é de 216 (6x6x3x2)! Se multiplicamos este valor pelo número de origens (talhões de vinha) e pelo número de destinos do produto final (facturas de venda) chegamos muito rapidamente a números que são impossíveis de gerir mentalmente e com recurso ao registo em papel apenas o são com dificuldade e lentidão.

Existem actualmente ferramentas integrada de gestão de adegas que permitem responder com facilidade a estas exigências requerendo pequenos investimentos em equipamento (vulgar computador pessoal) e alguns dias de formação e consultoria especializada. Estas soluções permitem a rastreabilidade completa de cada vinho desde a garrafa até ao talhão da vinha que lhe deu origem de forma extremamente fácil, ou determinar, por exemplo, o custo exacto de cada garrafa produzida.

Muitas empresas e empresários já iniciaram este inevitável caminho de modernização da gestão que garante o importante requisito da segurança alimentar e elevado grau de controlo sobre a sua produção. Aqueles que ainda não o fizeram e estão a “navegar à vista” correm maiores riscos de encontrar a desgraça.

 

 

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