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Curso de Gestão - Custeio de Equipamentos

20/03/2008

O meu nome é Vítor. A minha tia Fátima e o meu pai têm cada um uma exploração agrícola. É meu hábito dar-lhes uma mãozinha na gestão da quinta. No últimos tempos coube-me ajudá-los a organizar contas de cultura, já que ambos queriam conhecer os custos unitários das suas produções.

Conto-vos aqui, em quatro artigos, os diálogos que nos levaram até este resultado final.

Hoje fico-me pela distribuição dos custos das máquinas da minha tia pelas suas três actividades. Aqui estão os primeiros dados que ela me apresentou:

 

Maçã (10 ha)

Quant

Valor (EUR)

Tractor 1

245 horas

2481

Tractor 2

237 horas

2581

Tractor 3

234 horas

1516

Trituradora

38 horas

431

Pulverizador

218 horas

436

Rega

29 %

1676

Total de Custos

45549

 

Olival (15 ha)

Quantid.

Valor (EUR)

Tractor 1

72 horas

727

Tractor 2

30 horas

325

Tractor 3

22 horas

145

Caixas de Carga

42 horas

33

Atrelado

23 horas

329

Pulverizador

8 horas

16

Alfaias de mobilização

32 horas

48

Máquinas de rega

15 %

855

Total de Custos

8854

 

Vinha (9ha)

Quantidade

Valor (EUR)

Tractor 1

83 horas

842

Tractor 2

128 horas

1394

Tractor 3

56 horas

363

Caixas de carga

75 horas

123

Trituradora

24 horas

269

Pulverizadores

32 horas

64

Alfaias de mobilização

104 horas

156

Máquinas de rega

26 %

1508

Total de Custos

16737

   

Perguntei à minha tia como tinha chegado aos custos das máquinas que me apresentou:

- Primeiro juntei num quadro as horas que cada máquina trabalhou no ano, e todos os seus custos. Nos custos, contabilizei a amortização, o juro de empate de capital e os seguros, como custos fixos, e as reparações, os combustíveis, os lubrificantes e as peças como custo variável. Depois dividi o custo anual pela quantidade e obtive o custo unitário... Cá está:

 

Quant (horas)

Custos Fixos (€)

Custos Variáveis (€)

Custo Anual (€)

Custo Unitário (€/unid.)

Tractor 1

399

2093

1957

4050

10,1

Tractor 2

395

2366

1934

4300

10,9

Tractor 3

312

495

1530

2025

6,5

Trituradora

62

600

100

700

11,2

Caixas de carga

117

156

0

156

1,3

Atrelado

23

279

50

329

14,5

Pulverizadores

250

430

70

500

2,0

Alfaias de mobilização do solo

136

204

0

204

1,5

Rega

100

4448

1250

5698

57,0

Total

11071

6891

17962

 

- Não querendo duvidar de si, mas apenas de forma a situar-me, com é que calculou os custo fixos? Falou-me em amortização, juro de empate de capital e seguros. Suponho que tenha somado tudo.

- Sim. A amortização considerei ser o valor pelo qual comprei as máquinas menos o valor pelo qual as tenciono vender (estimei em 10% do valor de compra) e depois dividi pelo número de anos que espero que elas desempenhem as suas funções, assim:

E para o juro de empate de capital, considerei que se tivesse o dinheiro na mão poderia aplicar o valor médio da máquina a uma taxa de 5% num investimento com um risco semelhante, assim:

- Impecável! E já agora, sabe qual foi o número de anos de vida útil que utilizou para calcular as amortizações e quantas horas é que espera que as máquinas façam até as trocar? – perguntei-lhe.

- Hum.. O equipamento de rega está no campo e por isso não consigo falar em horas de trabalho. Costumo trabalhar em percentagem... Mas o resto, deixa lá ver, que ponho-te isso numa tabela.

 

Anos de vida

Utilização ideal (horas)

Tractor 1

16

10000

Tractor 2

16

10000

Tractor 3

16

10000

Trituradora

6

1500

Caixas de carga

20

2340

Atrelado

15

3000

Pulverizadores

6

1500

Alfaias de móbil, do solo

20

4000

    

- O que a tia fez tem uma certa lógica, no entanto eu gostava de propor que utilizasse um sistema de custeio racional...

 

Resolução

O custo racional vai ser obtido a partir dos valores que me deu relativamente à utilização ideal das máquinas. Repare! Se eu aplicar a fórmula:

Custo unitário racional =

Obtemos um novo custo unitário a que chamamos racional! A ideia é que as actividades não são responsáveis por uma máquina passar metade da sua vida útil sem trabalhar. O custo dessas horas em que o equipamento não trabalha não pertence a nenhuma das actividades produtivas, mas é sim um custo de uma gestão menos eficiente!

- Ah! Então como os custos variáveis só existem se a máquina trabalhar, são divididos pelas horas realmente trabalhadas, enquanto que os custos fixos que existem, quer a máquina trabalhe quer não, são divididos pelas horas que a máquina deveria fazer para ser bem aproveitada!

- Muito bem tia!

- Mas, eu ainda não percebi o que é que se faz ao custo das horas em que a máquina não trabalha.

Continuei:

- Então agora, em vez de multiplicarmos as horas que registou em cada actividade pelo custo unitário da máquina, multiplicamos pelo custo unitário racional. Se multiplicarmos o custo unitário racional por todas as horas trabalhadas, temos o total de custos afectados.

- E a diferença entre o custo anual e o custo afectado será o que chamas de ineficiência...

- ... ou sub-utilização do parque de máquinas! Vamos por tudo em quadros:

 

Utilização
(h)

Utilização
ideal (h)

Custos Fixos (€)

Custos
 Variáveis (€)

Custo
Anual (€)

Custo Unitário (€/h)

Custo Unitário Racional (€/h)

Custo imputado (€)

Custo da sub utilização (€)

Tractor 1

399

625

2093

1957

4050

10,1

8,2

3294

756

Tractor 2

395

625

2366

1934

4300

10,9

8,7

3428

872

Tractor 3

312

625

495

1530

2025

6,5

5,7

1777

248

Trituradora

62

250

600

100

700

11,2

4,0

250

450

Caixas de carga

117

117

156

0

156

1,3

1,3

156

0

Atrelado

23

200

279

50

329

14,5

3,6

82

247

Pulverizadores

250

250

430

70

500

2,0

2,0

500

0

Alfaias mob. solo

136

200

204

0

204

1,5

1,0

139

65

Rega

100

100

4448

1250

5698

57,0

57,0

5698

0

Total

11071

6891

17962

15324

2638

  

Maçã (10 ha)

Quantidade

Valor (EUR)

Tractor 1

245 horas

2018,0

Tractor 2

237 horas

2058,0

Tractor 3

234 horas

1331,0

Trituradora

38 horas

154,0

Pulverizador

218 horas

436,0

Máquinas de Rega

29 %

1676,0

Total Custos

44100,0

 

Olival (15 ha)

Quantidade

Valor (EUR)

Tractor 1

72 horas

592,0

Tractor 2

30 horas

259,0

Tractor 3

22 horas

127,0

Caixas de Carga

42 horas

56,0

Atrelado

23 horas

82,0

Pulverizador

8 horas

16,0

Alfaias de mobilização

32 horas

33,0

Máquinas de rega

15 %

855,0

Total de Custos

8395,0

 

Vinha (9 ha)

Quantidade

Valor (EUR)

Tractor 1

83 horas

685,0

Tractor 2

128 horas

1112,0

Tractor 3

56 horas

319,0

Caixas de carga

75 horas

100,0

Trituradora

24 horas

96,0

Pulverizadores

32 horas

64,0

Alfaias de mobilização

104 horas

106,0

Máquinas de rega

26 %

1508,0

Total de Custos

16007,0

 

- Pois é, mas assim nunca saberei quanto é que me custa um kg de maçã, de azeitona ou de uva!

custos de fora!

- Os custos que deixou de fora, 2638 €, não são da responsabilidade das actividades produtivas, mas da incapacidade que tem tido para aproveitar a 100% os recursos disponíveis. As correcções têm de ser feitas a nível da utilização dos factores de produção e não na gestão técnica de cada actividade individualmente. Repare que para ser competitiva, é importante que saiba até quanto é que os seus custos podem baixar se a sua exploração vier a ser absolutamente eficiente. Se atribuir a totalidade dos custos das máquinas às actividades, não está a saber quanto é que custam as maçãs, por exemplo, mas quando muito a quanto é elas têm que ser vendidas para suportar um sistema produtivo que pode, ou não, estar bem dimensionado.

 

AGROINOVAÇÃO #1  

 

Adaptado de um projecto desenvolvido com o apoio do Programa AGRO

 

 

 

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