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Curso de Gestão - Chaves de Imputação e Sistema Contabilístico

09/06/2008

Como já devem saber sou o Vítor. Durante quatro sessões vou contar aquilo que se passou com a minha tia e com o meu pai, ambos agricultores uma vez que os ajudei a contabilizar os seus custos unitários. Na sessão passada ajudei a minha tia a distribuir os custos das máquinas pelas actividades produtivas. Desta vez vou contar como resolvemos o problema dos gastos gerais na exploração da minha tia e como determinámos as actividades na exploração do meu pai.

 

Distribuição de encargos gerais - Chaves de imputação

- Então tia que outros custos é que está com dificuldade em atribuir.

- Sobraram-me estes. Não consigo arranjar um modo de dizer se são da vinha, do pomar, ou do olival:

 

Gastos Gerais

Valor (EUR)

Electricidade

10028,0

Água

241,0

Telefone

2954,0

Publicidade

530,0

- Vamos lá ver! Primeiro vou pedir-lhe que me diga, se souber, as dotações de rega para cada uma das culturas.

- Ah, isso é fácil, o equipamento de rega dá-nos esses dados e eu guardo tudo. Cá está:

Cultura

Dotação (m3/ha)

Pomar (10 ha)

3000

Olival (15 ha)

667

Vinha (9 ha)

1111

 - Muito bem, já fizemos um bom trabalho até agora. Os custos que nos sobraram são aquilo a que chamamos custos não específicos. Não dizem respeito a nenhuma actividade produtiva em particular, mas são custos que advêm da existência de todas as actividades! Só vejo um caso que poderá ser excepção que é o valor em electricidade aqui de Carrazeda, e que estou convencido ser relativo à rega dos pomares e do olival!

 

Resolução

- Sim é verdade. Mas afinal o que é que nós fazemos a esses custos? Eu, quando atribuí os custos fixos do equipamento de rega, distribui-os com base numa percentagem (ver sessão anterior). Como sei, mais ou menos as áreas que o equipamento rega em cada cultura cheguei a uma percentagem de área! Mas se isso serve para a amortização, em que os custos são proporcionais à área ocupada, não serve para a electricidade que depende também da dotação necessária a cada cultura.

- Ao utilizar a área para distribuir os custos fixos do equipamento de rega a senhora utilizou aquilo a que se chama de chave de imputação. Nesse caso de base única, uma vez que só utilizou um parâmetro para distribuir os custos. Para a electricidade pode agora usar uma chave de imputação de base múltipla, ou seja, considerando a área ocupada e a dotação aplicada a cada cultura.

- A área e a dotação de cada cultura eu conheço...

- Então, agora é só multiplicar uma pela outra, de modo a obter o volume de água utilizado em cada cultura, e depois calcular as respectivas percentagens! 

 

Área

Dotação

Área x Dotação = Volume

Chave de imputação

Pomar

10ha

3000 mm

30000

60%

Olival

15ha

667 mm

10000

20%

Vinha

9ha

1111 mm

10000

20%

 

Maçã (10 ha)

Quantidade

Valor (EUR)

Adubo gota a gota

104 kg

396,0

Adubo foliar

231 kg

2498,0

Adubação

731 kg

172,0

Herbicida

89 l

281,0

Monda química

1 l

38,0

Produto para Bichado

31 l

1275,0

Produto para Insecticida

518 l

1118,0

Produto para Pedrado

231 kg

2515,0

MO Eventual

6298 horas

23602,0

MO Permanente

1037 horas

4534,0

Tractor 1

245 horas

2018,0

Tractor 2

237 horas

2058,0

Tractor 3

234 horas

1331,0

Trituradora

38 horas

154,0

Pulverizador

218 horas

436,0

Máquinas de Rega

29 %

1676,0

Electricidade de rega

60 %

6017,0

Total Custos

50117,0

 

Olival (15 ha)

Quantidade

Valor (EUR)

Herbicida

45 l

154,0

MO Eventual

804 horas

3013,0

MO Permanente

734 horas

3209,0

Tractor 1

72 horas

592,0

Tractor 2

30 horas

259,0

Tractor 3

22 horas

127,0

Caixas de Carga

42 horas

56,0

Atrelado

23 horas

82,0

Pulverizador

8 horas

16,0

Alfaias de mobilização

32 horas

33,0

Máquinas de rega

15 %

855,0

Electricidade de rega

20 %

2006,0

Total de Custos

10401,0

 

Vinha (9 ha)

Quantidade

Valor (EUR)

Adubo

700 kg

146,0

Herbicida

90 l

264,0

Sanidade

29 saquetas

46,0

MO Eventual

1906 horas

7143,0

MO Permanente

1011 horas

4418,0

Tractor 1

83 horas

685,0

Tractor 2

128 horas

1112,0

Tractor 3

56 horas

319,0

Caixas de carga

75 horas

100,0

Trituradora

24 horas

96,0

Pulverizadores

32 horas

64,0

Alfaias de mobilização

104 horas

106,0

Máquinas de rega

26 %

1508,0

Electricidade de rega

20 %

2006,0

Total de Custos

18012,0

- Então, para os outros custos fazemos a mesma coisa!

- Pois tia, mas é que enquanto para os custos da rega tínhamos uma base sólida para fazer a afectação dos custos às actividades, no que diz respeito à contabilidade ou ao telefone, por exemplo, não faz sentido distribui-los em função da área ou da dotação. Poderíamos achar as margens de cada actividade e então distribui-los em função da contribuição de cada actividade para os resultados globais, mas isso também não mostra o que se passa na realidade!

- Margens????!!

- Margens são os resultados das actividades. Margem bruta se considerarmos os proveitos menos os custos variáveis e margem de contribuição se aos proveitos deduzirmos todos os custos da actividade. Por proveito estou a considerar o valor de tudo o que foi produzido na actividade independentemente de já ter sido vendido ou não!

- Hum,... tens razão. Ao afectar custo às actividades segundo as margens ou qualquer outro critério poderíamos estar a enganamo-nos a nós próprios. Então o que é que fazemos?

- Deixamos estar separados, numa actividade que podemos denominar, administração, gastos gerais, estrutura, ou o que quisermos! Esses custos serão incluídos nos resultados globais da exploração, mas não nos resultados por actividade! Os resultados globais da exploração deduzem ao total de margens de contribuição das actividades os custos gerais.

 

Distribuição de custos - Sistema contabilístico

A questão do meu pai é a seguinte. Tem como produtos de comercialização vitelas de desmame e novilhos de engorda. Neste momento está indeciso entre continuar a engordar ou não, mas não consegue saber se o custo do quilo de carne é maior ou menor que o preço pelo qual o pagam:

-Bom pai o seu problema é que o pai não sabe como distribuir os custos da sua exploração entre as Vacas e os novilhos.

- É isso mesmo.

- Isso é porque essas não são as únicas actividades que lhe interessam. Deverá contar também com o triticale, os semeados e as pastagens naturais como actividades.

- Mas se eu não consigo distribuir os custos das máquinas, construções e administrativos por duas actividades como é que o vou fazer por cinco?

- Pois pai, é que aqui o custo unitário da carne não será o melhor indicador. Aliás, como nem sequer consegue distribuir os custos fixos da exploração não os poderá afectar às actividades. Vamos por isso utilizar a Margem Bruta como indicador. A margem bruta é a diferença entre os proveitos e os custos variáveis. Apenas dá a conhecer se as actividades são sustentáveis no curto prazo, por não considerar custos fixos. E com os dados que o pai consegue fornecer melhor não é possível.

- E pelo que me dizes, vou ter de atribuir primeiro os custos às pastagens e só depois é que os passo para as vacas e para as novilhas. Ainda assim, estou confuso sobre como fazer essa transferência...

- Primeiro temos que perceber como é que vamos organizar a contabilidade analítica, para que consigamos entender os resultados que vamos obter e para termos a certeza do que vamos fazer!

- E então!...

- Então, já definimos que apenas nos vamos preocupar em afectar os custos variáveis, vamos por isso utilizar um custeio variável. Agora vou fazer-lhe um esquema de como vamos organizar a contabilidade:

 

Resolução

  

- Chama-se a isto o método contabilístico das secções...

- Estou e neste caso como estamos a usar um custeio variável , os custos fixos permanecem nas secções de máquinas e construções e os variáveis são distribuídos pelas secções principais.

- Verdade pai, atenção que como a  secção das máquinas é afectada por custos fixos e custos variáveis, mas que no nosso caso só transferimos para as restantes secções os custos variáveis. No caso da tia, já não seria assim, porque ela usou um sistema de custeio racional e chaves de imputação para fazer chegar os custos fixos às actividades.

 

AGROINOVAÇÃO #2 

 

Adaptado de um projecto desenvolvido com o apoio do Programa AGRO

 

 

 

 

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