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Exportações de azeite disparam 20%

[ 15/11/2010 ]

As exportações nacionais de azeite vão crescer este ano cerca de 20%, ultrapassando as 40 mil toneladas e atingindo um volume de facturação de 130 milhões de euros. Trata-se do dobro da quantidade exportada em 2006 (20 956 toneladas), o que é um "crescimento notável, tanto mais se tivermos em conta a conjuntura de crise económica e financeira global", diz Mariana Matos, secretária-geral da Casa do Azeite, associação empresarial que representa cerca de 95% de todo o azeite de marca embalado em Portugal.

Outro indicador favorável é o facto de serem agora exportados produtos de melhor qualidade e mais valor acrescentado, ao contrário de há quatro anos. "Actualmente, e pela primeira vez na história das exportações do azeite português, mais de metade das exportações nacionais são de azeites virgem extra". Entre 2006 e 2009, as vendas ao estrangeiro cresceram 120% neste segmento de mercado, que fechou o ano passado com um volume de exportações de 18 969 toneladas.

Considerando que se trata do "reconhecimento da qualidade do azeite português, Mariana Matos acrescenta que esta alteração de mercado "tem permitido reforçar constantemente o valor das exportações portuguesas de azeite, mesmo num contexto de baixo preço da matéria-prima".

À lista dos países para onde tradicionalmente são exportadas maiores quantidades de azeite, como Brasil, Espanha ou EUA, as empresas portuguesas acrescentam os negócios com a China, encarado como "o mercado do futuro", apesar de o produto ainda ser relativamente desconhecido.

As importações chinesas de azeite estão a crescer desde 2004 a um ritmo de 50% ao ano, superando em 2010 as 25 mil toneladas. "Apesar de todas as dificuldades que as distâncias, não só físicas mas sobretudo culturais, levantam, existe por parte das empresas a percepção de que o investimento naquele mercado terá o seu retorno, ultrapassadas que forem as várias barreiras que constituem ainda um forte entrave à entrada de produtos alimentares na China, como as questões de rotulagem, certificação de produtos e regulamentação", refere Mariana Matos.

Também o presidente da Nutrinvest (que detém o grupo Sovena, o segundo maior operador de azeite a nível mundial, com um volume de vendas que ascende a mais de 180 mil toneladas), Manuel de Melo, aponta a "internacionalização" como "aposta estratégica" para o sector. "Temos tradição, temos condições tanto de água como de terra, há potencialidade de crescimento", diz, destacando o facto de a Sovena já exportar para 70 países.

O aumento da capacidade exportadora está alicerçado na entrada em exploração de 66 mil hectares de novos olivais intensivos, 40% dos quais no Alentejo, o que permitirá atingir níveis de produção de azeite superiores ao consumo anual do país (cerca de 75 mil toneladas). "Perdemos a nossa posição produtora ao longo de décadas. Chegámos a um patamar mínimo de 30 mil toneladas. Estamos a recuperar e esperamos, na próxima campanha, garantir a auto-suficiência no domínio do azeite", diz o ministro da Agricultura, António Serrano, que aponta a necessidade de "expandir as vendas para mercados emergentes".

 

Falta de imagem dificulta

 

À excepção do Brasil, Portugal "não tem qualquer imagem [internacional] como país produtor de azeite, nem boa nem má", reconhece a secretária-geral da Casa do Azeite, organismo que em 2008 criou uma imagem de marca para a promoção externa do azeite nacional.

Mesmo nos Estados Unidos, que é o país não produtor com maior consumo de azeite (cerca de 250 mil toneladas/ano) e onde o mercado interno continua a crescer, as exportações não têm ultrapassado uma média anual de 1500 toneladas, essencialmente dirigidas às comunidades portuguesas. A 'culpa' é da concorrência italiana.

"O principal problema do mercado nos Estados Unidos é a grande predominância e concorrência dos azeites italianos (cerca de 80% do mercado), com uma forte imagem e um enorme suporte ao nível da restauração", afirma Mariana Matos, explicando que ainda não foi possível desenvolver uma estratégia promocional de grande escala, "dada a dimensão do mercado e os custos inerentes".

 

in Diário de Notícias

 

 

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