VIDA RURAL - n.º 1728 Ano 55 - Junho 2007
A empresa agrícola Casal de S. José, Sociedade Agrícola, Lda e em especial a sua directora geral – Eng.ª Mónica Fialho* é sem dúvida um caso de sucesso da fruticultura do Oeste. O seu segredo é bem capaz de ser a sua capacidade de gerir a empresa de uma forma multifacetada. As suas elevadas capacidades técnicas de produção combinadas com uma capacidade/vontade de olhar para os mercados e para os seus pares, juntamente com uma boa dose de visão estratégica, dão uma combinação feita para o sucesso.
João Calvão
Casal de S. José, Sociedade Agrícola, Lda está localizado em Freiria, concelho de Torres Vedras, tendo uma área total de 60 ha, dos quais 20 ha são de pomar e 36 há são de vinha.
A partir de 1995, foi Mónica de Azevedo Fialho, licenciada em Engenharia Agrícola pela Universidade de Évora, quem assumiu a gestão desta exploração agrícola familiar, procurando desenvolver uma projecto empresarial visando o reforço da área de pomar, a introdução do regadio, a reestruturação de todas as vinhas, a renovação do parque de máquinas e melhoramentos fundiários.
Para o efeito, e na qualidade de jovem agricultora recém-licenciada, recorreu a projectos de investimento e procurou conciliar as culturas/variedades pretendidas com as características edafo-climáticas da região e com as previsões de evolução comercial das mesmas. Assim, a produção frutícola tem vindo a centrar-se na Pêra Rocha e nas maçãs Royal Gala, Galaxy e Reineta, com comercialização através de um agrupamento de produtores (Campotec SA/Melro.com). Quanto à produção vitícola, tem sido orientada para vinhos regionais e VQPRD, sendo a uva entregue em Adega Cooperativa.
O aumento da área de pomar foi acompanhado da introdução de rega gota a gota totalmente automatizada. Os novos pomares foram instalados em sistema semi-intensivo e intensivo, recorrendo-se a técnicas inovadoras na região – porta enxertos, intensificação cultural, aramação e quebra ventos mistos (naturais e artificiais).
Introduziram-se também alguns equipamentos, não usuais na altura, no sentido de melhorar a rentabilidade da exploração, como a máquina eléctrica de empa, o balde da vindima, o distribuidor de estrume, carrinhos de colheita, bem como a utilização de máquina de vindimar no regime de aluguer.
Paralelamente, foram ou têm vindo a ser implementadas as seguintes medidas:
- Não mobilização: foi feito o enrelvamento dos pomares e de parte da vinha, com o objectivo de reduzir a erosão e aumentar a fertilidade do solo bem como a fauna e flora auxiliares.
- Produção Integrada: as práticas de produção integrada foram iniciadas em 1997.
- EUREPGAP: a exploração é certificada desde 2003.
- Agricultura Biológica: iniciou-se em 2005 a conversão de um pequeno pomar (1,3 ha) de pereira rocha convencional em modo de produção biológico.
A estratégia de gestão descrita tem feito com que a exploração seja considerada um modelo na região, frequentemente visitada por clientes estrangeiros, operadores hoteleiros (IAPMEI) e outros produtores. Também é de realçar o facto de ter sido escolhida para o projecto “Fileira Qualidade” do Carrefour, por ser a que melhor correspondia às exigências do protocolo estabelecido.
Por outro lado, desde o início que se procurou ultrapassar a postura individualista tradicional, através do associativismo e da partilha de equipamentos e experiências. São de realçar neste domínio as seguintes iniciativas:
- Está integrada como associada na Adega Cooperativa da Azueira e de São Mamede da ventosa, em cuja gestão tem tido participação activa;
- Está integrada como associada na organização de produtores Campotec, SA;
- Mantém parceria comercial através da Campotec, SA com a Cooperativa Frutus e Eurohorta (Unirocha.com);
- Tem manifestado permanente disponibilidade para todas as visitas à exploração de clientes e produtores nacionais e estrangeiros com o objectivo de aferir técnicas e conhecimentos.
Até 2005 o controlo técnico-financeiro das actividades da exploração foi efectuado com recurso ao sistema RICA. Só então foi implementado o AGROGESTÃO.
“... o RICA era um método moroso e que obrigava a muitos lançamentos informáticos para uma mesma informação. Além disso, tinham de ser feitas à parte as contas de cultura e o cash-flow de planeamento e orçamento da actividade. A passagem do RICA para o AGROGESTÃO traduziu-se numa melhoria significativa, quer no menor tempo dispendido a registar informação, quer na possibilidade de obtenção, em qualquer momento, dos resultados de exploração pretendidos: contas de cultura, gestão de stocks, gestão de fornecedores e clientes, etc.”
Mónica Fialho – Directora Geral
Mónica Fialho referiu que no arranque da implementação do AGROGESTÃO, passou por uma fase “difícil” de parametrização dos dados relativos à actividade mas, uma vez feita, o processo é muito simples e rápido. Apenas é necessário criar alguma rotina na manutenção actualizada da informação para se tirar partido de todas as vantagens que o programa oferece. “As dificuldades pontuais que vão aparecendo têm sido resolvidas pelo serviço de apoio permanente que a empresa disponibiliza.”
Outro aspecto interessante do AGROGESTÃO, nas palavras de Mónica Fialho, “...é a constante actualização do programa, resultado do esforço de melhoria e qualidade de serviço que a empresa quer fornecer aos seus clientes. Existe, sem dúvida, o fenómeno causa-efeito: qualquer constrangimento verificado por um produtor relativamente ao AGROGESTÃO é estudado, solucionado e aplicado nas já referidas actualizações que irão beneficiar todos os outros produtores. Tem também existido um grande dinamismo no sentido de desenvolver programas e técnicas que sejam úteis para o exercício da actividade, como é o caso dos salários e dos PDA’s, os quais têm a necessária articulação com os programas já existentes”.
*Nota: Em 2003, Mónica de Azevedo Fialho foi a vencedora da primeira edição do Prémio Anual de Agricultura (instituído pelo Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas) na categoria “Agricultor do Ano”.
