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BOVINAÇOR – Um exemplo no meio do Atlântico

VIDA RURAL - n.º 1732 Ano 55 - Novembro 2007

 

Já passou mais de meio século desde que o Sr. Humberto Silva fez nascer, na ilha de S. Miguel nos Açores, um projecto de produção e exportação de ananás de estufa, e ainda, uma unidade de confecção de vestuário infantil (GUINOR). Hoje, com 83 anos, dirige, para além destes dois negócios, uma empresa de engorda de suínos (HUMBERTO SILVA), outra de engorda de bovinos (BOVINAÇOR, S.A.) e uma fábrica de rações (PROVIPOR, Lda.), onde trabalham ao todo cerca de 52 funcionários.

Cláudia Antunes

Apesar de hoje em dia ser mais conhecido pelo turismo (ou mesmo pelas telenovelas) o verde da ilha de S. Miguel nos Açores potencia outro tipo de negócios. E um dos negócios de maior expressão é a produção pecuária, onde a produção de leite de bovinos é o ex-líbris. São raros os recantos da ilha onde não se vislumbra uma pastagem salpicada de bonitas vacas de raça frísia.

O primeiro negócio ligado à pecuária a que o Sr. Humberto Silva se dedicou foi o da engorda de suínos, negócio que explora ainda hoje em seu nome individual com um efectivo actual de cerca de 6.700 cabeças.

Quando abriu a fábrica de rações – PROVIPOR, Lda. – já tinha também em funcionamento a BOVINAÇOR, S.A. dedicada à engorda de bovinos. Esta unidade foi criada com o objectivo de produzir alimentos compostos destinados às necessidades internas do grupo. A PROVIPOR, Lda. tem crescido e, hoje em dia, a unidade não só satisfaz as necessidades do efectivo próprio, como coloca no mercado a maior parte da sua produção.

A BOVINAÇOR, S.A., criada em 1973, tem como objectivo engordar bovinos, comprados muito cedo a diversos produtores da região, destinados para o mercado interno continental. Lidam mensalmente com um volume de cerca de 1.250 animais divididos por 4 rebanhos de várias raças como a Holstein Frisia, Belge Blue, Charolesa, Cruzada e Limousine. Todas as semanas enviam animais para o continente, para instalações próprias situadas em Benavente, e daí partem destinados a clientes espalhados pelos mais diversos locais desde Torres Novas a Palmela passando por Alcanena, Benavente e Caldas da Rainha.

Em 2002 optaram por informatizar a gestão dos efectivos pecuários de forma a que pudessem utilizar a informação em tempo real e de forma expedita, não só para melhor responderem às crescentes exigências administrativas por parte dos serviços oficiais, como também por necessidade interna ao nível do controlo técnico e operacional. Decidiram comprar e implementar o ZOOGESTÃO e desde então tem aprofundado a sua utilização.

Antigamente a informação de cada bovino era toda processada à mão, o que segundo Laura Moniz, colaboradora desta empresa, “dava um trabalhão!”.

“A preparação dos embarques ficou muito mais simples o que facilitou muitíssimo a minha vida, porque lido semanalmente com o transporte de 150 a 200 animais para o continente...” Laura Moniz

A engorda dos bezerros começa desde que estes são adquiridos com 8 a 15 dias a vários lavradores da região e trazidos por intermediários. São desmamados após 60 dias, e depois engordados com ração até aos três e por vezes cinco meses de idade, findo os quais são exportados para o continente. É muito importante para a empresa saber quantos animais morreram durante o período da engorda.

“Na BOVINAÇOR todos os meses entregamos uma listagem a cada um dos intermediários com o nº de animais que cada um entregou agrupados por produtor (marca de exploração) juntamente com indicadores de mortalidade e suas causas. Os intermediários são incentivados a esclarecer junto de cada produtor as razões de índices menos satisfatórios de forma a que cada produtor possa actuar resolvendo a situação. Claro que se houver reincidência a BOVINAÇOR pode deixar de aceitar animais de determinadas origem permitindo assim a melhoria dos índices produtivos na empresa.

“Com o programa ZOOGESTÃO, consigo tirar listagens entre datas, ou seja, sei que naquele mês entraram x animais e morreram y, e sei também a quem esses animais pertenciam. Exporto essa informação para excel e faço as percentagens de mortes que ocorreram nesse mês. E todos os meses, transmito sempre essa informação aos intermediários.” Laura Moniz

O processo de implementação da aplicação abordou não só as questões relacionadas com a recolha e processamento da informação, a organização dos processos administrativos, como também a organização dos processos de decisão.

Uma das listagens específicas que esta empresa solicitou à AGROGESTÃO foram as guias de saída na qual constasse o peso e a raça de cada animal que era exportado. “No passado aconteceu perdermos dinheiro com uma venda por não estar explícito na lista dos animais a raça de cada um. Daí eu sentir a necessidade de incluir a informação da raça na guia de saída.” Laura Moniz.

Como em qualquer exploração de engorda de bovinos, a BOVINAÇOR, S.A. está muito atenta aos Ganhos Médios Diários. Quando a gestão de efectivos não estava informatizada só conseguiam calcular valores para grupos de animais. Agora o ZOOGESTÃO permite-lhes saber o ganho médio diário de cada animal e por análise comparativa interna podem determinar, em tempo útil, se um animal, que não está a engordar tão bem como outro em iguais condições, necessita de algum cuidado especial. “os ganhos médios diários são indicadores que nos ajudam a controlar melhor a gestão da exploração.” Laura Moniz

“A assistência dos técnicos da agrogestão tem sido muito boa, e a banalização das ferramentas de Internet de assistência remota veio tornar essa ajuda ainda mais expedita e efectiva.” Laura Moniz

A descida do preço dos bovinos machos e a crescente concorrência na região estão a exercer grande pressão sobre a BOVINAÇOR, S.A., mas confiante na visão estratégica do seu fundador, Laura Moniz sente que tem razões para ter esperança que a empresa não só persista como cresça com o fortalecimento de relações com os produtores locais, e com a conquista de novos clientes no continente.

 

 

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