Custo

Custo refere-se ao sacrifício total ou parcial de um recurso no decurso de uma actividade económica. Este conceito difere de pagamento ou despesa, uma vez que se refere à utilização de um factor de produção e não à sua aquisição ou remuneração (ver fluxos económicos, fluxos financeiros e fluxos de tesouraria).

Os custos classificam-se em três categorias: fixos e variáveis, reais e atribuídos, específicos ou não específicos. As três classificações têm objectivos distintos e, como tal, o mesmo custo é alvo das três classificações complementares.

 

Custos fixos e custos variáveis

Custos fixos

Custo fixo é aquele que não depende da quantidade de produto produzido, sendo, por definição constante para qualquer nível de produção, num determinado prazo considerado. Resulta da existência dos factores de produção fixos que constituem o aparelho de produção.

Custos variáveis

Custo variável depende da quantidade de produto produzida e está relacionado com a tecnologia utilizada e com o preço dos factores de produção variáveis.

Estes custos têm importância no âmbito do planeamento e gestão da empresa agrícola no curto prazo. No curto prazo a gestão apenas tem capacidade efectiva para influenciar os custos variáveis. Os custos fixos encontram-se associados a decisões de longo prazo. Ao separar, na sua contabilidade, os custos fixos dos variáveis, o gestor saberá imediatamente quais são aqueles sobre os quais poderá actuar imediatamente e quais aqueles que terá de considerar no seu planeamento de longo prazo.

 

Custos reais e atribuídos

Custo real

Diz-se que ocorre um custo real quando existe o sacrifício de um recurso que foi obtido através da criação de uma despesa junto a um fornecedor.

Custo atribuído

Um custo atribuído é originado pela utilização de determinado recurso da empresa, sacrificando utilizações alternativas. São exemplos de custos atribuídos o custo de oportunidade ou a auto-utilização de produtos da exploração aos quais é aplicado um preço de transferência.

Esta classificação distingue aqueles custos que têm um influência directa no mapa de tesouraria daqueles que apenas se reflectem a nível da realidade económica da exploração.

Custos específicos e não específicos

Custo específico

Diz-se que um custo é específico quando respeita a uma actividade agrícola específica.

Custo não específico ou custo geral

Custo não específico ou custo geral não pode ser associado a nenhuma actividade agrícola específica.

Custos específicos são analisados no âmbito da avaliação da actividade a que dizem respeito, ao passo que custos não específicos são analisados individualmente. Custos não específicos com escritórios, construções, veículos,.., podem atingir valores muito significativos na estrutura de custos da exploração e exigir considerações de reestruturação.

Sempre que for possível, deve imputar-se um custo a algum dos centros de análise, usando critérios de imputação apoiados em observações reais. No entanto nunca deve ser adoptado um estilo de imputação de custos não específicos em actividades agrícolas. Este tipo de actuação altera os resultados obtidos em cada um dos centros de análise responsabilizando-os por custos pelos quais não são responsáveis, induzindo o gestor em erro quanto à viabilidade das actividades (ver Métodos contabilísticos e Chaves de imputação).

 

Considerações suplementares

Exemplos de custos e relevância da sua classificação:

Terra sobre a qual está implantada uma cultura Fixo, Atribuído, Específico
Armazém de alfaias Fixo (poderá ter uma componente variável caso sejam precisas reparações devidas à sua utilização). Real (amortização) + atribuído (Juro de empate de capital). Não específico.
Mão de obra familiar a tempo inteiro Fixo. Atribuído. Específico ou não específico, dependendo das funções.
Adubo Variável. Real. Específico.

Dados os exemplos, facilmente se verifica que os factores associados a custos fixos apenas podem ser modificados no longo prazo (mudança de profissão do trabalhador familiar ou decisão de não renovar o armazém). Já o custo associado ao adubo está dependente de decisões de curto prazo, como as áreas semeadas ou o nível de adubação a utilizar. A separação entre custos variáveis e fixos nas contas de actividade permite ao gestor identificar imediatamente aqueles sobre os quais pode actuar no curto prazo de modo a influenciar rapidamente os resultados.

A mão de obra familiar não é remunerada através de um salário. No entanto tem um custo de oportunidade inerente ao facto de o trabalhador não estar empregado noutra qualquer ocupação. Este custo deve, por isso, ser considerado nos resultados económicos da exploração, por influenciar o nível de bem estar financeiro do agregado familiar se, ao trabalhar para uma entidade empregadora alternativa, o trabalhador fosse capaz de obter um vencimento mais elevado que o que o seu trabalho produz na exploração, isso aumentaria o rendimento da família (ver utilidade). O custo atribuído difere do custo real por não influenciar o mapa de tesouraria da exploração. Esta é uma das razões pelas quais uma exploração poderá apresentar resultados negativos com fluxos financeiros e de tesouraria positivos. A distinção entre custos reais e atribuídos permite distinguir uma exploração que não faz o melhor uso dos factores de produção ao seu dispor não cobre a totalidade dos custos, incluindo os atribuídos - de uma exploração que não é viável financeiramente não cobre os custos reais.

Custos não específicos não podem ser atribuídos a uma actividade, como é o caso de um armazém de alfaias ou um trabalhador administrativo. Existe por vezes a tendência para distribuir os custos não específicos pelas actividades de modo a verificar se elas os cobrem. Este procedimento implica que actividades com interesse para a exploração sejam prejudicadas nos seus resultados por factores que não lhe dizem respeito, levando o gestor a tomar decisões erradas. Os custos não específicos devem ser avaliados independentemente reduzir ou não as horas de um trabalhador administrativo; manter o armazém, construir outro no fim da vida útil do existente com custos de manutenção menos elevados, ou deixar as máquinas ao relento diminuindo a sua vida útil. Estas questões não serão levantadas se estes custos forem atribuídos às actividades produtivas (ver métodos contabilísticos).