Métodos de valorização

Com estreita relação com os sistemas de custeio e métodos contabilísticos, assume relevância particular a forma de valorização dos fluxos de saída de produtos (ou factores) de uma secção da empresa para outra. Um factor de produção que é adquirido tem associado um valor que depende do preço e das condições de compra; o mesmo acontece com a totalidade de produtos que dão entrada em stock. Num determinado período de tempo em análise, é possível que sejam adquiridas diversas quantidades do mesmo factor ou produto a diferentes preços. Se assim for, no momento em que se efectue a primeira saída de armazém do item em causa, por que valor é que ele deverá sair? Qual o custo a imputar à secção à qual ele se destina?

Existem três métodos valorimétricos usados no quotidiano empresarial para dar resposta a este problema:

FIFO (first in, first out ou primeiro a entrar, primeiro a sair)

De acordo com o critério FIFO (first in, first out) considera-se que saem primeiro do armazém as existências que lá estão à mais tempo, isto é, as que foram as primeiras a entrar. O custo imputado às secções difere de acordo com as datas em que cada uma consome o factor de produção. As primeiras secções a utilizar um dado factor suportarão um custo que corresponde ao preço dos primeiros factores de produção a ser adquiridos e ainda em armazém.

LIFO (last in, first out ou último a entrar, primeiro a sair)

Ao utilizarmos o critério LIFO (last in, first out), ao contrário da situação anterior, iremos considerar que as primeiras unidades a sair são as que entraram em último lugar. O custo imputado às secções difere de acordo com as datas em que cada uma consome o factor de produção. As primeiras secções a utilizar um dado factor suportarão um custo que corresponde ao preço dos últimos factores adquiridos.

Custo Médio

O critério do Custo Médio estabelece que qualquer unidade que saia num determinado momento do armazém deverá sair com um custo associado que exprima o custo médio desse factor em armazém, no momento da sua saída. Este critério também pode ser aplicado de forma mais absoluta, calculando o preço médio de determinado produto ou factor na totalidade do exercício.

No caso de, por exemplo, se adquirir sementes de milho em diferentes datas:

Descrição

Tipo de movimento

Data

Quantidade

(unidades)

Custo (Euros/unidade)

Semente de Milho

Entrada

31-01-2004

100

45,0

Semente de Milho

Entrada

10-02-2004

80

51,0

Semente de Milho

Entrada

25-02-2004

120

44,0

Semente de Milho

Saída

07-03-2004

60

??

Se as sementeiras se iniciarem numa parcela em que se utilizam 60 unidades de semente, no momento em que o armazém regista as existência que constam do quadro anterior. Os custos a imputar à secção correspondente serão os seguintes:

Valorização segundo o critério FIFO - as 60 unidades em causa deverão sair com um custo associado de 45,0 Euros/unidade, pois este foi o valor atribuído às sementes que estão há mais tempo em armazém.

Valorização segundo o critério LIFO - as 60 unidades em causa deverão sair com um custo associado de 44,0 Euros/unidade, pois este foi o valor atribuído às sementes que estão há menos tempo em armazém.

Valorização segundo o critério Custo Médio - C.M. = [(100 x 45,0) + (80 x 51,0) + (120 x 44,0)] / [100 + 80 + 120] = 46,2 Euros/unidade. Cada uma das 60 unidades de semente necessárias para semear a parcela em causa sai com um custo associado de 46,2 Euros.

 

Considerações suplementares

Facilmente se observa, que cada um dos critérios apresentados origina um valor diferente para o custo associado à saída do armazém, o que quer dizer que a escolha do critério, apesar de não ir afectar o resultado final da empresa, tem alguma influência sobre os resultados das actividades e, em contra-ponto, no valor da variação de existências do período em causa. O valor unitário das existências em armazém após cada saída (bem como após cada entrada) é também diferente, dependendo do critério valorimétrico adoptado.

Qualquer sistema valorimétrico pode ser utilizado mesmo que não exista nenhum armazém formal. Sempre que se usa um sistema contabilístico que regista coeficientes técnicos, podem valorizar-se os factores e produtos com critérios comuns, independentemente de qual a compra em concreto que se destina a cada utilização.

O custo médio é, à partida, o método valorimétrico cuja aceitação é mais consensual na contabilidade de gestão. As actividades não deverão ser penalizadas ou beneficiadas umas em relação às outras no exemplo apresentado, caso se usasse LIFO as primeiras sementeiras seriam beneficiadas relativamente às restantes, cuja semente seria mais custosa. As decisões de gestão quanto às aquisições são independentes da performance de cada actividade. Deste modo a avaliação das actividades será mais exacta se todas obtiverem os factores de produção ao mesmo custo unitário, utilizando o custo médio.

FIFO ou LIFO poderão no entanto ser interessantes noutros casos, como na contabilidade fiscal ou no caso de haver grandes quantidades constantemente em armazém e apenas uma parte ser utilizada (LIFO). Este caso não é comum na agricultura.

 

Sabia que...

As diferenças causadas nos resultados pela utilização de um ou outro método de valorização podem ser de tal modo elevadas que gestores das empresas que publicam os seus resultados podem ser obrigados pelos investidores a explicitar qual o método utilizado. Mais ainda, e no caso de um ano para o outro o método ser alterado, poderão ter de explicar aos seus investidores a razão da alteração e as consequências dessa alteração a nível de resultados.

Se bem que à sua escala, as diferenças causadas pelo sistema de valorização utilizado numa empresa agrícola, podem também ser suficientemente relevantes para serem negligenciadas pelo seu gestor na avaliação de resultados. Isto é sobretudo verdade para empresas agrícolas que armazenam elevadas quantidades de factores de produção ou produtos de um ano para o outro. É o caso, por exemplo, de produtores de cereais, que não só armazenam o produto durante algum tempo, como este está sujeito a variações de preço ao longo desse período. O valor da semente em armazém do ano anterior poderá ser muito diferente daquele que foi atribuído à semente deste ano. O método de valorização aqui irá contribuir em muito para as diferenças entre os resultados apurados em cada um dos anos.