Frederico Teixeira – Da AGROGESTÃO à estratégia no agronegócio — um percurso de 25 anos no terreno

Ao longo dos seus 28 anos de atividade, a AGROGESTÃO contou com a colaboração de muitos profissionais que hoje continuam a contribuir para o desenvolvimento do setor agrícola. O percurso de Frederico Teixeira é um desses exemplos.

 

Há percursos que não se contam em linha reta. O de Frederico Teixeira é feito de consultoria agrícola, de campos de produção em Angola, de feiras internacionais e, mais recentemente, de uma empresa própria que coloca toda essa experiência ao serviço dos produtores portugueses. Um fio condutor atravessa tudo: a convicção de que sem dados rigorosos não há boas decisões.

Uma escola de rigor — os anos na AGROGESTÃO

Frederico Teixeira integrou a AGROGESTÃO em 2003, numa das primeiras equipas que a empresa lançou no terreno. Engenheiro zootécnico de formação, passou cerca de onze anos como consultor e formador em gestão agrícola, acompanhando empresas do setor na implementação de metodologias de análise económica e estruturação operacional.

A amplitude foi total. Das sessões de formação em informática a pequenos agricultores transmontanos às reorganizações estruturais de grandes empresas agropecuárias do Ribatejo e do Alentejo, o trabalho diário exigia rigor analítico e capacidade de adaptação a realidades muito distintas.

“A AGROGESTÃO foi uma escola brutal de rigor analítico que, ainda hoje, é a espinha dorsal da engenharia que aplico nos projetos da AgroSapiens. Os dados foram o maior ensinamento: ninguém toma boas decisões sem boas fontes. Quanto mais rigorosas, mais finas são as informações e mais sólidas as decisões.”

Angola — fazer com o que se tem

Depois da AGROGESTÃO, Frederico desenvolveu experiência internacional em projetos agrícolas em Angola, assumindo responsabilidades técnicas e de gestão em operações de grande dimensão — da produção intensiva de hortícolas à hidroponia, em contextos onde a logística era tão determinante quanto a agronomia.

Um dos momentos mais marcantes foi a implementação do software de gestão agrícola da AGROGESTÃO num dos principais operadores do setor hortícola angolano: uma exploração com mais de 500 colaboradores e dezenas de novos centros de custo criados semanalmente. Tornar possível a contabilidade analítica no interior de Angola — com tudo o que isso implica em termos de infraestrutura, adaptação e persistência — foi um desafio que moldou definitivamente a sua forma de trabalhar.

“Angola ensinou-me duas coisas fundamentais. Primeiro, que o ótimo é muitas vezes inimigo do bom: quando não temos o que precisamos à mão, temos de perceber que uma boa solução já é uma solução. Segundo, que a planificação não é burocracia — é sobrevivência. Quando a logística tem de ser preparada com seis meses de antecedência, planear com rigor não é opcional.”

AGROGLOBAL — construir uma referência ibérica

Nos últimos anos, Frederico esteve ligado à organização da AGROGLOBAL, hoje a maior feira agrícola profissional da Península Ibérica. Na direção de operações de campo e na relação com expositores, contribuiu para a consolidação de um evento que reúne empresas, produtores, investigadores e especialistas do setor, tanto de Portugal como do espaço internacional.

Mais do que a escala do evento, o que recorda com maior satisfação é a possibilidade de deixar uma marca própria: convidar expositores com propostas verdadeiramente inovadoras, mostrar novas técnicas e novos produtos a produtores que muitas vezes as desconheciam. A AGROGLOBAL tornou-se, também por isso, um ponto de encontro relevante para a partilha de conhecimento e a dinamização da atividade agrícola.

AgroSapiens — inovação centrada na rentabilidade

Toda esta trajetória converge hoje na AgroSapiens, a empresa de consultoria estratégica e gestão de projetos que Frederico lançou recentemente. O objetivo é claro: criar valor mensurável nas explorações agrícolas, combinando rigor analítico com tecnologia de precisão.

O serviço de referência é o NutriSapiens — um programa de agricultura de precisão focado na fertilidade vegetal. O processo começa com um diagnóstico detalhado do solo, integrando mapeamento de condutividade elétrica aparente (ECa), análises laboratoriais por zonas de gestão e análise da água de rega. A partir daí, o acompanhamento nutricional da cultura é feito ao longo de todo o ciclo através de análises de seiva nas fases mais determinantes, com resultados entregues em 48 horas e prescrições de fertirrega ajustadas em tempo real.

O que distingue a abordagem não é apenas a tecnologia — é a forma como a informação chega ao produtor. Os relatórios são diretos, com procedimentos concretos que se leem em trinta segundos e estão prontos para a ação. Sem jargão desnecessário. Sem ambiguidade.

“A AgroSapiens é o produto da minha experiência acumulada e da forma como vejo a atividade agrícola. O mind-set da AGROGESTÃO está muito presente: oferecer serviços que criem valor real nas explorações. A inovação tem de ser rentável — caso contrário, não é inovação, é custo.”

O setor agrícola português — pujança e desafios

Na perspetiva de Frederico, o setor agrícola português atravessa um momento de grande dinamismo — mas o ritmo da inovação não pode abrandar. A sua visão para os próximos anos assenta em três eixos.

O primeiro é a democratização da inovação: as novas tecnologias têm de chegar ao maior número possível de explorações, independentemente da sua dimensão. Só assim é possível reduzir custos de forma sistémica e aumentar a competitividade do setor.

O segundo é a criação de valor através do associativismo. O poder negocial coletivo é indispensável para valorizar a produção no mercado nacional e para reforçar a posição exportadora de Portugal, que tem ainda muito espaço para crescer.

O terceiro — e talvez o mais estruturante — é o regadio. Nas condições edafoclimáticas portuguesas, a água para rega é o principal fator de desenvolvimento e criação de valor. Sem ela, a ambição produtiva esbarra inevitavelmente nos limites do clima.

 

Percursos AGROGESTÃO

Ao longo dos seus 28 anos de atividade, a AGROGESTÃO contou com a colaboração de muitos profissionais que hoje continuam a contribuir para o desenvolvimento do setor agrícola em diferentes áreas e geografias. A série Percursos AGROGESTÃO dá voz a esses itinerários e acompanha o contributo que continuam a dar para o desenvolvimento do setor.