A validação destas ideias na Bolsa de Iniciativas constitui um sinal claro da sua relevância e enquadramento, encontrando-se atualmente em curso o trabalho de consolidação técnica e de preparação das candidaturas ao apoio previsto.
A AGROGESTÃO viu duas iniciativas de inovação que ajudou a conceber e dinamizar serem validadas na Bolsa de Iniciativas dos Grupos Operacionais da Parceria Europeia para a Inovação para a produtividade e sustentabilidade agrícolas (PEI-AGRI).
Este reconhecimento traduz a relevância das ideias apresentadas e o seu enquadramento nos objetivos da política de inovação agrícola, constituindo um passo importante no percurso que pode conduzir à sua futura implementação no terreno.
Importa, no entanto, clarificar que a validação na Bolsa de Iniciativas não corresponde à aprovação de financiamento. Trata-se de uma etapa prévia, centrada na estruturação e validação conceptual das propostas, que permite preparar a fase seguinte de candidatura aos apoios disponíveis.
Enquadramento: o papel da Bolsa de Iniciativas
Os Grupos Operacionais para a Inovação, no âmbito da PEI-AGRI, têm como objetivo promover a colaboração entre empresas, agricultores, associações, entidades do sistema científico e tecnológico e outros agentes relevantes, em torno de problemas concretos do setor ou oportunidades de inovação.
Neste contexto, a Bolsa de Iniciativas funciona como um mecanismo de preparação e maturação de ideias, permitindo validar a sua pertinência, promover o encontro entre parceiros e apoiar a construção de futuros consórcios.
A validação de uma iniciativa nesta fase significa que a ideia foi considerada relevante e enquadrável, mas não implica ainda a existência de financiamento aprovado. Numa fase subsequente, os consórcios terão de desenvolver planos de ação estruturados, tecnicamente consistentes e financeiramente sustentados, alinhados com os requisitos do aviso de financiamento em vigor.
O aviso C.5.1/2026 prevê apoio não reembolsável, com uma taxa de 80% e um limite máximo de 350.000 euros por plano de ação, exigindo a constituição de parcerias que integrem diferentes perfis de entidades.
O papel da AGROGESTÃO
As duas iniciativas agora validadas tiveram origem em processos dinamizados pela AGROGESTÃO, que assumiu um papel ativo na identificação de problemas e oportunidades relevantes, na estruturação conceptual das ideias e na articulação de parceiros com competências complementares.
Este posicionamento reflete a atuação da AGROGESTÃO como um agente que liga conhecimento técnico, desenvolvimento de soluções digitais e visão de implementação, procurando aproximar as necessidades concretas do terreno das possibilidades abertas pela inovação tecnológica.
Mais do que desenvolver tecnologia de forma isolada, a AGROGESTÃO tem vindo a afirmar-se como facilitadora de processos colaborativos, contribuindo para transformar ideias com potencial em soluções aplicáveis e com impacto real no setor agroalimentar.
Dois eixos de inovação complementares
As duas iniciativas validadas enquadram-se em áreas distintas, mas complementares, refletindo desafios estruturais do setor agrícola e agroflorestal.
Uma das iniciativas incide sobre o desenvolvimento de soluções digitais de apoio à decisão agrícola, assentes na integração de múltiplas fontes de informação — incluindo dados agronómicos, climáticos, edafoclimáticos, históricos e de sensoriamento remoto — e na utilização de modelos preditivos, com recurso a técnicas de Inteligência Artificial.
O objetivo é apoiar decisões críticas de forma mais informada, precisa e atempada, contribuindo para melhorar a eficiência produtiva, reduzir riscos e custos e reforçar a capacidade de adaptação a contextos de maior variabilidade climática.
Esta abordagem traduz uma ambição clara de colocar a inovação digital ao serviço de decisões agrícolas mais robustas, acessíveis e com impacto económico concreto, incluindo em contextos de pequena e média dimensão.
A segunda iniciativa centra-se na valorização e remuneração de serviços dos ecossistemas em territórios agroflorestais e rurais, abordando um desafio crescente: o reconhecimento económico de funções ambientais como a conservação da biodiversidade, a regulação hídrica, o sequestro de carbono ou a preservação da paisagem.
Neste contexto, são exploradas abordagens que combinam metodologias de monitorização e avaliação com o desenvolvimento de ferramentas digitais que reforcem a transparência, a rastreabilidade e a credibilidade dos mecanismos de compensação ambiental, incluindo soluções baseadas em tecnologias como blockchain.
Estas duas linhas de trabalho refletem uma visão integrada da inovação no setor: por um lado, melhorar a qualidade da decisão produtiva através de dados e tecnologia; por outro, criar condições para reconhecer e valorizar economicamente o contributo dos territórios para a sustentabilidade ambiental.
Construção colaborativa e evolução das propostas
O processo de validação na Bolsa de Iniciativas evidenciou também a importância da construção colaborativa. Em particular, verificou-se a convergência entre propostas com objetivos semelhantes, conduzindo à sua integração em abordagens mais abrangentes e robustas.
Este tipo de evolução, assente na articulação entre diferentes entidades e na agregação de competências, constitui um fator determinante para a qualidade das propostas e para a sua viabilidade futura no âmbito dos instrumentos de financiamento disponíveis.
A AGROGESTÃO reconhece e valoriza o contributo dos parceiros envolvidos neste processo, cuja colaboração tem sido essencial na construção, maturação e consolidação destas iniciativas, bem como no trabalho em curso de preparação das candidaturas ao financiamento.
Próximos passos
Com a validação das iniciativas, o trabalho prossegue com o aprofundamento técnico, a consolidação dos consórcios e a preparação das candidaturas ao aviso de financiamento.
Esta etapa implica a transformação das ideias em planos de ação estruturados, com definição clara de objetivos, metodologias, resultados esperados e modelo de implementação, assegurando simultaneamente a sua elegibilidade e sustentabilidade financeira.
Uma visão de inovação com impacto no terreno
A validação destas duas iniciativas reforça a capacidade da AGROGESTÃO para identificar desafios relevantes, estruturar propostas com potencial e mobilizar parceiros em torno de objetivos comuns.
Num contexto em que a inovação agrícola exige cada vez mais articulação entre conhecimento, tecnologia e aplicação prática, a construção de consórcios sólidos e orientados para resultados assume-se como um elemento central.
Estas iniciativas refletem uma visão de futuro assente em mais dados, melhor decisão, maior sustentabilidade e valorização efetiva dos recursos e serviços gerados pelos territórios, permanecendo agora o desafio de as transformar em projetos concretos com impacto no terreno.
