Percursos AGROGESTÃO – Francisco Malafaya: km’s, histórias e liderança — um percurso que começa no terreno

Ao longo dos seus mais de 28 anos de atividade, a AGROGESTÃO contou com a colaboração de muitos profissionais que hoje continuam a contribuir para o desenvolvimento do setor agrícola e de outras áreas de atividade, em Portugal e no mundo.

A série Percursos AGROGESTÃO dá a conhecer alguns desses caminhos. O de Francisco Malafaya é um deles — feito de estrada, de histórias que dariam um livro e de uma progressão profissional construída com intensidade desde o primeiro dia.

Uma entrada na AGROGESTÃO… à Malafaya

Antes de chegar à AGROGESTÃO, o percurso de Francisco Malafaya já combinava uma forte ligação ao mundo agrícola com uma energia fora do comum fora do contexto académico. Natural do Porto e com forte ligação ao interior, cresceu num ambiente ligado à atividade agrícola, ao mesmo tempo que desenvolvia desde cedo uma ligação intensa ao desporto, em particular ao mar.

Durante os anos de formação na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), onde concluiu a licenciatura em Engenharia Agrícola, conciliava o percurso académico com a prática desportiva competitiva, nomeadamente no surf e longboard, experiências que ajudaram a moldar uma personalidade competitiva, resiliente e orientada para a ação.

Foi também durante este período em Vila Real que surgiu a ligação à AGROGESTÃO, através de Francisco Sottomayor.

O projeto — acompanhar agricultores com formação em contabilidade analítica e ferramentas de gestão — encaixava “como uma luva”.

“O tipo de trabalho e filosofia da empresa encaixavam como uma luva na minha maneira de pensar — o computador é a 1ª alfaia.”

“Um belo dia disseram-me que estavam a recrutar e eu só descansei quando entreguei o CV.”

A entrevista, com Frederico Avillez e José Pedro Salema, foi tudo menos convencional.

“Falámos mais do meu CV desportivo e do surf do que da agricultura. Foi, sem dúvida, a entrevista de trabalho que mais prazer me deu.”

E assim começou um percurso de três anos que deixaria marca.

O terreno: 80 empresários, milhares de km

Na AGROGESTÃO, o trabalho estava longe de ser teórico. No terreno, Francisco acompanhou cerca de 80 empresários agrícolas, num modelo exigente que combinava formação em gestão e contabilidade analítica com a implementação prática de ferramentas informáticas e um acompanhamento regular e próximo de cada exploração.

Ao longo de dois anos de trabalho contínuo, esse acompanhamento permitia conhecer ao detalhe a estrutura de custos de cada empresa, criando uma base sólida para decisões de gestão mais informadas.

Paralelamente, o seu papel não se limitava à consultoria. Envolveu-se também na vertente comercial dos softwares da AGROGESTÃO, participou na melhoria das aplicações e contribuiu para o desenvolvimento de manuais de utilizador, num contexto em que a tecnologia começava a ganhar um papel cada vez mais central na gestão agrícola.

E, sobretudo, fez quilómetros. Muitos quilómetros.

“Lembro-me de uma segunda-feira em Cascais: reunião na sede e, ao fim do dia, saímos todos em fila rumo a norte — vários Ford Focus com o símbolo AGROGESTÃO, a perder ‘elementos’ quilómetro após quilómetro. Uns ficavam pelo Oeste, outros no Ribatejo, outros para Viseu, Porto… e eu seguia sozinho para Vila Flor. Já de noite, na A23, o sono bateu forte; entrei na IP5 e, sem dar por isso, estava em Espanha — numa altura em que não se usava GPS, com o depósito no fim e as bombas todas fechadas. Peguei no mapa e fui devagarinho até casa. Que susto… problemas de quem fazia 100.000 km por ano.”

Histórias que ficam (e que davam para escrever um livro)

Há percursos que se explicam por cargos e funções. E há outros que se contam por episódios — pequenos momentos que, somados, dizem muito sobre a forma como se trabalhava, se aprendia e se vivia o dia a dia.

No caso da AGROGESTÃO, foram anos intensos no terreno, com exigência elevada, autonomia e uma proximidade muito grande entre pessoas. É desse ambiente que nascem histórias que, ainda hoje, ficam na memória — e que, como o próprio diz, “davam um livro”.

Algumas são de competição e camaradagem.

“Foram 40 minutos de disputa com o Frederico no karting em Évora. Ganhei por ser mais leve, mas ele saiu do karting, ficou em segundo e veio dar-me um abraço. Nunca tinha visto alguém ficar em 2º lugar e estar contente.”

Outras são de responsabilidade assumida antes do tempo — e de confiança depositada.

“Disseram-me: vais dar formação para Mogadouro. Eu não me sentia nada preparado. O Zé Pedro respondeu: ‘não te preocupes, eles sabem muito menos do que tu’. Essa frase ainda hoje me serve de bitola.”

E há também as mais inesperadas, que dizem muito sobre o espírito de equipa e o ambiente vivido.

“O Frederico diz-me: ‘Abre a mala do carro! Quero ver que brinquedos trazes hoje!’ Foi uma risota total.”

Momentos simples, mas que ajudam a perceber o que era, na prática, fazer parte da AGROGESTÃO: um contexto exigente, com grande autonomia, mas também com proximidade, humor e espírito de equipa.

A base de tudo

Com a distância dos anos — e já fora do contexto da AGROGESTÃO — tornou-se mais claro o impacto real daqueles primeiros anos no terreno. Aquilo que, na altura, era vivido como trabalho intenso e exigente, revelou-se mais tarde como uma base estruturante, não apenas de conhecimentos técnicos, mas sobretudo de forma de pensar, decidir e agir em contexto profissional.

Mais do que um conjunto de funções, foi um período de formação prática contínua — em contacto direto com empresas, pessoas e decisões reais — que acabaria por marcar de forma duradoura o seu percurso.

“Só anos depois percebi que o que aprendi na AGROGESTÃO me colocava num patamar de conhecimento muito acima da média.”

Entre as aprendizagens que ficaram destacam-se a capacidade de comunicação e formação, o domínio de ferramentas digitais, os conhecimentos sólidos de gestão e a capacidade de liderança informal — competências que viriam a ser determinantes no seu percurso posterior.

“Sinto que não existe problema sem solução e que tenho sempre a ferramenta certa para o resolver.”

Dos primeiros passos nos CTT à direção comercial

Após a saída da AGROGESTÃO, seguiu-se um período de transição em que conciliou diferentes experiências profissionais com uma forte dedicação ao surf de competição — uma fase importante para fechar esse ciclo pessoal com intensidade.

Em 2008 entra nos CTT através de um estágio na área de atendimento e distribuição, iniciando um percurso que rapidamente evoluiria para funções operacionais com responsabilidade de equipa. Nos primeiros anos assume a gestão de lojas e centros de distribuição, acumulando também funções de apoio a várias unidades e participando em iniciativas internas ligadas à organização, vendas e prevenção de acidentes.

A progressão foi consistente. Pela capacidade de comunicação e formação, transita para funções de Gestor de Serviços Financeiros, onde passa a atuar como gestor de produto, apoiando e formando equipas em larga escala na zona norte.

Mais tarde assume funções de Diretor Comercial, passando a liderar equipas e unidades orgânicas numa vasta área geográfica — de Espinho a Penedono — com responsabilidade direta sobre resultados, pessoas e desenvolvimento do negócio.

Um percurso construído de forma gradual, assente em experiência no terreno, capacidade de liderança e forte orientação para a ação — uma evolução que reflete a solidez das bases adquiridas no início do seu percurso profissional.

Um percurso com marca

Fora do contexto profissional, mantém uma ligação forte ao desporto e à atividade física, que assume como essencial para o equilíbrio e energia do dia a dia.

Do surf competitivo ao mergulho, passando por atividades ligadas ao mar e, mais recentemente, por modalidades como tiro desportivo, caça ou enduro, o denominador comum mantém-se: intensidade, desafio e superação.

“Não se pode parar, pois não?”

O percurso de Francisco Malafaya é um exemplo de crescimento construído com trabalho, intensidade e capacidade de adaptação.

Mas também é um retrato de uma geração de consultores que viveram a AGROGESTÃO no terreno — com exigência, proximidade e um espírito de equipa que ainda hoje deixa saudade.

“Uma coisa é certa: muitas saudades da equipa AGROGESTÃO. O meu coração baterá sempre AGROGESTÃO.”