AGROGESTÃO e Quinta Ribeira de Alpreade submetem candidatura europeia para desenvolver solução de IA aplicada à produção artesanal de queijo

O projeto OmniLait AI procura ligar dados desde a produção de leite até ao queijo final, combinando tecnologia, conhecimento do terreno e inteligência artificial para reduzir a variabilidade na produção artesanal.

A AGROGESTÃO e a Quinta Ribeira de Alpreade submeteram recentemente a candidatura do projeto OmniLait AI ao programa europeu GATE5.0 – Green and Digital Transitions for a Sustainable European Agrifood Ecosystem, uma iniciativa europeia orientada para acelerar a inovação e a transição digital no setor agroalimentar.

O projeto nasce de um desafio real e estrutural da produção artesanal de queijo: a dificuldade em garantir consistência e previsibilidade num processo profundamente influenciado por variáveis naturais, conhecimento empírico e dados frequentemente dispersos entre registos manuais, folhas de cálculo, equipamentos e diferentes sistemas.

Na prática, pequenas variações na composição do leite, temperatura, humidade, coagulação, prensagem ou maturação podem originar resultados significativamente diferentes no produto final. Essa variabilidade tem impacto direto na qualidade, valorização comercial e rentabilidade da produção.

Com o OmniLait AI, o objetivo é criar uma plataforma digital integrada capaz de ligar toda a cadeia de valor — desde a pecuária e produção de leite até à transformação, cura, stock e distribuição do queijo — permitindo transformar dados dispersos em conhecimento acionável para apoio à decisão.

A solução prevê integrar diferentes fontes de informação, sensores e sistemas de recolha de dados, criando uma visão contínua e rastreável de todo o processo produtivo. Progressivamente, a plataforma poderá incorporar modelos de inteligência artificial capazes de identificar padrões, relacionar variáveis e apoiar decisões críticas ao longo da produção.

Entre as funcionalidades previstas estão dashboards operacionais, rastreabilidade por lote, alertas em tempo real, análise de rendimento, acompanhamento da maturação e ferramentas de apoio à decisão capazes de relacionar condições de produção do leite, parâmetros de fabrico e características finais do queijo.

Mais do que automatizar processos, o projeto procura criar melhores instrumentos de gestão para a produção artesanal, preservando o saber-fazer tradicional enquanto aumenta a previsibilidade, consistência e capacidade de controlo.

Uma solução construída a partir do terreno

Um dos elementos diferenciadores do OmniLait AI é a sua forte ligação à realidade produtiva.

A solução será desenvolvida e validada em contexto real na Quinta Ribeira de Alpreade, uma queijaria artesanal localizada em Zebras, no Fundão, com tradição familiar de três gerações na produção de queijo artesanal de ovelha e cabra.

A exploração combina produção pecuária e transformação própria, funcionando como um ambiente real de validação tecnológica, onde os desafios de variabilidade, rastreabilidade e gestão operacional fazem parte do dia-a-dia da atividade.

Neste contexto, destaca-se o papel de Pedro Neto, responsável pela Quinta Ribeira de Alpreade e parceiro central na definição do projeto.

Com experiência direta na gestão integrada da exploração, da pecuária, da produção artesanal, da qualidade, da comercialização e da modernização da unidade produtiva, Pedro Neto teve um contributo determinante na identificação dos principais desafios operacionais e na transformação desses problemas concretos em requisitos tecnológicos claros.

O seu percurso combina conhecimento operacional profundo com formação em áreas como Direito, Higiene e Segurança no Trabalho, Empreendedorismo e Gestão.

Paralelamente, o seu envolvimento em iniciativas ligadas ao desenvolvimento territorial, inovação e modernização económica do mundo rural ajudou também a enquadrar o projeto numa perspetiva mais ampla: não apenas como uma solução tecnológica, mas como uma resposta aos desafios futuros da produção artesanal, da sucessão geracional e da competitividade dos territórios rurais.

Foi precisamente essa proximidade ao terreno que ajudou a definir alguns dos objetivos centrais do projeto: reduzir duplicação de registos, melhorar rastreabilidade, apoiar decisões difíceis relacionadas com maturação e controlo de qualidade, e transformar experiência acumulada em conhecimento mais sistematizado e acionável.

Tecnologia ao serviço da produção artesanal

O OmniLait AI baseia-se numa abordagem integrada à digitalização da produção agroalimentar.

Ao invés de funcionar como uma solução isolada para apenas uma fase da operação, o projeto pretende ligar informação proveniente da pecuária, ordenha, transformação, cura, stock e distribuição, criando uma plataforma unificada de gestão e análise.

A componente tecnológica será liderada pela AGROGESTÃO, empresa especializada no desenvolvimento de soluções digitais para o setor agroalimentar, com experiência consolidada em software de gestão, rastreabilidade, integração de sistemas e apoio à decisão.

Através deste projeto, a AGROGESTÃO reforça a sua aposta na evolução de plataformas integradas e data-driven, com crescente incorporação de inteligência artificial aplicada a contextos reais de produção.

A visão passa por desenvolver tecnologia capaz de apoiar produtores e agroindústrias na tomada de decisão, transformando grandes volumes de dados operacionais em informação útil, contextualizada e acionável.

No caso do OmniLait AI, isso poderá permitir identificar relações entre variáveis que hoje são difíceis de observar diretamente — por exemplo, perceber de que forma determinados padrões de leite, condições ambientais ou tempos de maturação influenciam a consistência e qualidade do produto final.

Um projeto inserido num ecossistema de inovação

Embora desenvolvido num contexto específico de produção artesanal de queijo, o projeto foi concebido com potencial de adaptação futura a outros contextos agroindustriais onde existam desafios semelhantes de variabilidade, rastreabilidade e fragmentação de dados.

Ao longo da preparação da candidatura, o projeto foi também despertando interesse junto de diferentes entidades ligadas à inovação agroalimentar, produção artesanal, investigação aplicada e desenvolvimento territorial.

Entre essas entidades encontram-se organizações como o CATAA – Centro de Apoio Tecnológico Agro-Alimentar, o Instituto Politécnico de Castelo Branco (IPCB), a Universidade da Beira Interior (UBI), a OVIBEIRA e entidades europeias ligadas ao setor dos queijos artesanais, como a FACEnetwork – Farmhouse and Artisan Cheese & Dairy Producers European Network.

Esta rede de contactos e entidades interessadas reforça o potencial de disseminação e replicação futura da solução, aproximando tecnologia, produção, investigação e território.

O enquadramento europeu através do programa GATE5.0 surge precisamente nesse contexto, promovendo a colaboração entre PME tecnológicas e produtores agroalimentares, incentivando soluções que acelerem a transição digital e sustentável do setor.

Um passo estratégico para a AGROGESTÃO

Para a AGROGESTÃO, o OmniLait AI representa também mais um passo estratégico na consolidação do seu posicionamento enquanto parceiro tecnológico para a modernização do agroalimentar.

O projeto reforça a aposta da empresa em integração de sistemas, análise de dados e inteligência artificial aplicada ao terreno, numa lógica de proximidade à operação e desenvolvimento de soluções construídas a partir de problemas reais.

Ao mesmo tempo, consolida uma visão cada vez mais orientada para plataformas integradas, interoperabilidade de dados e apoio inteligente à decisão em contextos agroindustriais complexos.

No centro do projeto permanece, no entanto, uma ideia simples: a inovação não pretende substituir o saber-fazer artesanal, mas dar-lhe melhores ferramentas para enfrentar os desafios de um setor cada vez mais exigente, competitivo e orientado por dados.